domingo, 1 de julho de 2012

Fábula motivacional: “ERA UMA VEZ UM LENHADOR”


 
"Pedro, um lenhador, após um grande trabalho em uma área de desmatamento, se viu desempregado. Após tanto tempo cortando árvores, entrou no corte! A madeireira precisou reduzir custos... 

Saiu, então, à procura de nova oportunidade de trabalho. Seu tipo físico, porém, muito franzino, fugia completamente do biótipo de um lenhador. Além disso, o machado que carregava era desproporcional ao seu tamanho. Aqueles que conheciam Pedro, entretanto, julgavam-no um ótimo profissional. Em suas andanças, Pedro chegou a uma área reflorestada que estava começando a ser desmatada. Apresentou-se ao capataz da madeireira como lenhador experiente. E ele o era! O capataz, após um breve olhar ao tipo miúdo de Pedro e, com aquele semblante de selecionador implacável, foi dizendo que precisava de pessoas capazes de derrubar grandes árvores, e não de “catadores de gravetos”. Pedro, necessitando do emprego, insistiu. Pediu que lhe fosse dada uma oportunidade para demonstrar sua capacidade. Afinal, ele era um profissional experiente! Com certa relutância, o capataz resolveu levar Pedro à área de desmatamento e só fez isso pensando que Pedro fosse servir de chacota aos demais lenhadores. Afinal, ele era um fracote... Sob os olhares dos demais lenhadores, Pedro postou-se frente a uma árvore de grande porte e, com o grito de “madeira”, deu uma machadada tão violenta que a árvore caiu logo no primeiro golpe. Todos ficaram atônitos!!! Como era possível tão grande habilidade e que força descomunal era essa que conseguia derrubar aquela grande árvore numa só machadada?! Logicamente, Pedro foi admitido na madeireira. Seu trabalho era elogiado por todos, principalmente pelo patrão, que via no Pedro uma fonte adicional de receita. 

O tempo foi passando e, gradativamente, Pedro foi reduzindo a quantidade de árvores que derrubava. O fato era incompreensível, uma vez que Pedro estava se esforçando cada vez mais. Um dia Pedro se nivelou aos demais. Dias depois, encontrava-se entre os lenhadores que menos produziam. O capataz que, apesar de sua rudeza, era um homem vivido, chamou Pedro e perguntou sobre o que estava acontecendo. “Não sei” – respondeu Pedro – “nunca me esforcei tanto e, apesar disso, minha produção está caindo”. O capataz pediu, então, que Pedro lhe mostrasse sua ferramenta de trabalho, seu machado. Quando o recebeu, notando que ele estava cheio de dentes e sem o fio de corte, perguntou ao Pedro: “Por que você não afiou seu machado?”. Pedro, surpreso, respondeu que estava trabalhando tanto e por isso não tinha tempo de afiar sua ferramenta de trabalho. (NÃO TENHO TEMPO PARA PLANEJAR...) (NÃO TENHO TEMPO PARA ME TREINAR...) (NÃO TENHO TEMPO PARA LER...) (NÃO TENHO TEMPO PARA ME ATUALIZAR...) O capataz ordenou que Pedro ficasse no acampamento e amolasse seu machado. Só depois disso ele poderia voltar ao trabalho. Pedro fez o que lhe foi orientado. Quando retornou à floresta, percebeu que tinha voltado à forma antiga: conseguia derrubar as árvores com uma só machadada. 

A lição que Pedro recebeu “cai como uma luva” sobre muitos de nós – preocupados em executar nosso trabalho ou, pior ainda, julgando que já sabemos tudo que é preciso, deixamos de “amolar nosso machado”, ou seja, deixamos de atualizar nossos conhecimentos, deixamos de abastecer nossa capacidade de pensar. Sem saber por que, vamos perdendo posições ou nos deixando superar pelos outros. 

Em outras palavras, perdemos a nossa potencialidade, deixamos “sem fio de corte” a nossa potência.  Muitos avaliam a experiência que possuem pelos anos que se dedicam àquilo que fazem. Se isso fosse verdade, aquele funcionário que aprendeu, em 15 minutos, como se opera uma máquina de xerox, depois de 10 anos na mesma atividade poderia dizer que tem 10 anos de experiência, quando, na realidade, ele tem 15 minutos de experiência repetida durante 10 anos. A experiência não é a repetição monótona do mesmo trabalho, e sim, a busca incessante de novas soluções, tendo coragem de correr os riscos que possam surgir. É ‘perder tempo’ para afiar o nosso machado." 

(SERRA, Flávio de. Grandes Conceitos em Pequenas Estórias. Brasília: Consulex, 1993).

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“Como professor, não me é possível ajudar o educando a superar sua ignorância, se não supero permanentemente a minha”. Paulo Freire