terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

VIDAS EM CRÔNICAS: RETRATO DA AIDS NO BRASIL

UMA BRASILEIRINHA

Autor(a):  Daiênni

Tenho 23 anos e tenho o vírus do HIV. Descobri esse diagnóstico no final da minha gravidez do meu filho, hoje com 2 anos de idade. Sou casada e meu marido também não sabia que era portador do vírus. Descobri no último dia da minha gestação, já no hospital. Quando recebi a notícia, não acreditei, achei que os exames estavam errados. Mas o tempo foi passando e eu fui me dando conta da situação, entrei em depressão, não conseguia mais parar de chorar, não me alimentava em nem conseguia dormir.
Meu marido sofria também e, como eu, não acreditava. Tudo parecia um pesadelo. Nunca imaginávamos que poderíamos passar por uma situação dessas. Estávamos ali aterrorizados e nossa vida parou. Não falamos para nenhum amigo com medo do preconceito. Falamos apenas para nossos pais, que nos acolheram, e para minha surpresa meu pai, que me rejeitou quando criança, passou a me tratar com mais carinho e atenção e minha mãe ficou ao meu lado me dando apoio e amor. Mais tarde, como aprendi a ler resultado de exames, descobri que ela também era portadora do vírus. Compreendi que só quem vive essa dor pode compreender a dor dos outros. Já para minha irmã, foi difícil de aceitar, pois até hoje ela fico muito estressada quando os filhos dela brincam com os meus e grita NÃO! Quando um dos meus filhos quer dividir algum doce com os filhos dela, ela completa: Tu ficaste louca, não deixa, tu sabe que é perigoso.
Sou mais uma portadora desta doença que faz uma revolução na vida das pessoas principalmente pelo preconceito. Eu acho o preconceito uma falta de sabedoria, de esclarecimento, de estudo, porque o HIV não se pega tocando, abraçando ou beijando. Fora tudo isso, sou uma pessoa normal como as outras, sou casada e com meu marido tenho cinco filhos que são crianças saudáveis. Dois dos meus filhos correram o risco de se contaminaram. Meu filho de dois anos correu o maior risco, pois eu não tive a oportunidade de protegê-lo porque fiquei sabendo somente na hora do parto. Mas graças a Deus ele fez o tratamento e negativou. Hoje estou com um bebê de 4 meses e este sim, fiz o tratamento e até agora está negativo.
Sou mãe, menina, mulher, tenho um bom marido e um excelente pai de meus filhos. Hoje sou feliz, porque sou forte e guerreira e nunca pensei em desistir de lutar. Tenho uma doença sim, que não tem cura, mas tem tratamento.
Sou jovem e junto com meu marido temos muitos filhos para criar. Nossa família cresceu, agora somos sete e assim nos tornamos mais fortes para enfrentarmos tudo e qualquer tipo de preconceito. Agradeço a Deus por ter me mandado essa família.
Aqui tem uma brasileirinha que está tento a oportunidade de dizer que o preconceito é a pior doença do ser humano. A aids está aí e não para, pare, pense e se proteja para não se arrepender depois. Vivam a vida plenamente, mas se protejam e usem camisinha sempre.


Fonte: http://sistemas.aids.gov.br/blogvidas/index.php?q=conteudo/uma-brasileirinha

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“Como professor, não me é possível ajudar o educando a superar sua ignorância, se não supero permanentemente a minha”. Paulo Freire

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